terça-feira, 22 de abril de 2008

SOBRE "FORAS"

Quem nunca levou um fora? Só quem nunca correu atrás de alguém.

Levar um fora é assim, como posso dizer... Ai, sei não! Só sei que a dona te olha, dos pés
à cabeça, faz uma análise rápida e dá o veredito:

- Desculpa, você não faz meu tipo...

Essa é velha conhecida dos que assim como eu, vivem à procura da alma gêmea.... Mas, como um profundo conhecedor das desculpas que as mulheres dão para não saírem com um cara, eu digo: não desanime, não se deixe abater, não se envergonhe com um não.

Um fora é como um consórcio: um dia você será contemplado. Eu já levei muitos foras, mas também já consegui muitos "dentros".

Desculpas, já ouvi infinitas. Algumas bem criativas. Já ouvi a menina dizer que ia estudar; que estava com dor de cabeça; que era lésbica (essa é boa); que ia arrumar a casa; que precisava ficar com a avó doente; que estava 'naqueles dias'. Teve uma que me disse certa vez que até sairia comigo, mas eu demorei em chamar e ela saiu com outro...

E para não ficar "por baixo", também já dei milhares de desculpas. Certa dia eu ligo para uma garota e a convido para o cinema. Ela responde que não pode porque está com o namorado. Mas eu completo dizendo que tenho um amigo gay que pode fazer companhia para ele...

Há quem diga que pior que levar um fora, é dar um fora. Eu discordo veementemente, afinal, se dar um fora é tão difícil, então porque a garota não fica contigo, ora bolas... Esse é um tema que rende muita discussão.

Com minha experiência em levar foras tenho autoridade suficiente para dizer aos corações partidos: não deixe de procurar. Continue com sua busca, afinal, se o cara mais idiota da sua sala conseguiu sair com aquela gata, você também pode conseguir alguém.

MILITAR GOSTA DE TIRAR ONDA...

Aconteceu... comigo, quando eu era Fuzileiro Naval:

Estávamos eu, um terceiro sargento infante e um cabo também infante, de serviço no Grupamento de Fuzileiros Navais de Natal. Apareceu uma emergência no Hospital
Naval e escalaram nós três para irmos lá tentar resolver.


Era um fuzileiro que tinha bebido além da conta e estava tumultuando no hospital.

Chegamos lá quinze minutos depois, mas o problema já estava resolvido: o "naval" fora medicado e dormia tranquilamente.

Para não ter que voltar ao o quartel e ficar fazendo faxina, o sargento - mais antigo dos três -, disse que ficaríamos dentro da viatura, em frente ao hospital, "dando cobertura".

Beleza. Íamos passar a tarde toda sem fazer nada.

Meia hora depois, cansado do silêncio, o sargento começa a puxar assunto. Fala que é casado há oito anos mas sempre traiu a "dona Maria"... Esta nunca percebeu, porque ele dava "assistência" em casa e "se garantia" com as outras. Sempre foi "atuador", pegava geral no Rio de Janeiro e aqui em Natal as "mulé" davam muito mole para ele.

O cabo, para não ficar por baixo, completou dizendo que era um verdadeiro garanhão. Transava com mais de cinco mulheres por semana. Saia pra farra e a mulher dele nem percebia.

E eu, de saco cheio daquela conversa machista, apenas observava sem dar opiniôes. Até que o sargento olhou para mim e perguntou se eu não tinha alguma história parecida para contar.

Eu, na minha humildade de cearense, respondi:

- Não sargento, não tenho nada interessante. A única coisa que faço é "dar assistência" para mulheres casadas quando os maridos delas saem para farrear....

O sargento ficou pálido de vergonha, o cabo, idem. Eles se entreolharam e depois disfarçaram, fingindo que observavam os respectivos relógios...

O sargento, encabulado, disse então:

- Ei, está ficando tarde. Vamos!

O cabo concordou e fomos para o quartel.

Naquele dia, os dois militares machistas aprenderam o seguinte:

1. não se deve contar vantagem na frente de um cearense;
2. não se deve sair comentando as puladas de cerca; e,
3. enquanto se está com uma amante, sua mulher pode estar sozinha, ou não....