
Hoje, 40 anos após sua primeira exibição, o JN continua sendo a principal fonte de informação para milhões de brasileiros. Mas será que o conteúdo lá exibido é realmente imparcial? Ou seria manipulado de acordo com os interesses de um grupo? Será que a empresa dona do telejornal apresenta reportagens isentas, livres de qualquer propaganda de cunho ideológico ou partidário?
Na série de reportagens especiais exibidas no programa ultimamente, o JN fez questão de mostrar notícias importantes, dadas em primeira mão, e reportagens investigativas. Porém não mostrou os casos em que esteve envolvido em polêmicas. Vamos a eles.
Na cobertura das eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982 o programa foi acusado de participar de uma tentativa de fraude. As Organizações Globo, dona do telejornal, eram contra um dos candidatos, Leonel Brizola. Este, um político historicamente perseguido pela emissora de Roberto Marinho, sempre esteve à frente nas pesquisas eleitorais. Contudo, o JN divulgava apenas dados desvantajosos para Leonel. O pleito chegou ao fim, Brizola venceu, e ainda conseguiu na justiça que o JN apresentasse seu direito de resposta, defendendo-se dos ataques feitos pela Globo.
Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, o Jornal Nacional omitiu informações sobre essa mobilização. Num importante comício na Praça da Sé, em São Paulo, o telejornal exibiu a manifestação como sendo uma festa comemorativa pelo aniversário da cidade. No fim das contas, a ditadura saiu de cena e a Globo teve que engolir a democracia.
Como não conseguiu derrotar a democracia, a emissora dos Marinhos tentou manipular a opinião pública: em 1989 o Jornal Nacional exibiu, dias antes das eleições, trechos editados do debate presidencial. Os trechos foram favoráveis a Fernando Collor - mostravam as melhores cenas - e desfavoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva - exibiam os piores momentos. Collor venceu o segundo turno das eleições e, deu no que deu…
Até com ex-funcionários o JN parece ser omisso. Nesta semana dos quarenta anos de exibição, o telejornal fez questão de convidar repórteres que fizeram a história do programa. Mas esqueceu de convocar gente como Marcos Hummel, Eliakim Araújo, Fernando Vanucci, Carlos Nascimento, Ana Paula Padrão, e Paulo Henrique Amorim. Todos eles passaram pelo Jornal Nacional mas hoje trabalham em emissoras concorrentes da Globo. Por esse motivo, não participam da festa.
Dizem que se uma mentira é repetida durante muito tempo passa a ser aceita como verdade. Hoje, às 20h15, William Bonner e Fátima Bernardes apresentarão um telejornal que há quatro décadas se diz imparcial e de credibilidade… Será verdade? O pior é que, depois de tanto tempo, parece que os brasileiros estão começando a acreditar que sim.
(A ilustração presente nesse texto foi copiada do link Jornal Nacional.)