quarta-feira, 15 de julho de 2009

CARTA A UM CIDADÃO


Muito bem, senhor cidadão, eu creio que o senhor já me rotulou.

Acredito que me enquadro perfeitamente na categoria na qual o senhor me colocou. Eu sou estereotipado, padronizado, marcado, corporativista e, sempre, bitolado. Infelizmente, a recíproca é verdadeira. Eu não vou, porém, rotulá-lo.

Mas, desde que nascem, seus filhos ouvem que eu sou o bicho-papão, e depois o senhor fica chocado quando eles se identificam com meu inimigo tradicional, o criminoso. O senhor me acusa de contemporizar com os criminosos, até que eu apanhe um de seus filhos em alguma falta.

O senhor é capaz de gastar uma hora para almoçar e interrompe seu serviço para tomar café diversas vezes no dia, mas me considera um vagabundo se paro para tomar uma só xícara. O senhor se orgulha de seu refinamento, mas nem pisca quando interrompe minhas refeições com seus problemas.

O senhor fica bravo quando alguém o fecha no trânsito, mas quando o flagro fazendo a mesma coisa, eu o estou perseguindo. O senhor, que conhece todo o código de trânsito, quase nunca porta os documentos obrigatórios.

O senhor acha que é um abuso se me vê dirigindo em alta velocidade para atender uma ocorrência, mas sobe pelas paredes se eu demoro dez segundos para atender um chamado seu.

O senhor acha que é parte do meu trabalho se alguém me fere, mas diz que é truculência policial se devolvo uma agressão.

O senhor nem cogita em dizer a seu dentista como arrancar um dente ou a seu médico como extirpar seu apêndice, mas está sempre me ensinando como aplicar a lei.

O senhor quer que eu o livre dos que metem o nariz na sua vida, mas não quer que ninguém saiba disso.

O senhor brada que é preciso fazer alguma coisa para combater o crime, mas fica furioso se é envolvido no processo.

O senhor não vê utilidade na minha profissão, mas certamente ela se tornará valiosa se eu trocar um pneu furado do carro de sua esposa, ou conduzir seu menino no banco de trás do carro patrulha, ou talvez salve a vida de seu filho, ou trabalhe muitas horas além de meu turno procurando sua filha que desapareceu.

Assim, senhor cidadão, o senhor pode se indignar, proferir impropérios e se enfurecer pela maneira pela qual executo meu trabalho, dizendo toda a sorte de palavrões possível, mas nunca se esqueça de que a sua propriedade, a sua família e até a sua vida dependem de mim e de meus colegas.

Sim, senhor cidadão, eu sou um POLICIAL.


A autoria desse texto é atribuída a Mitchell Brown, patrulheiro da Polícia Estadual de Virgínia, EUA. Morreu em serviço dois meses depois de escrevê-lo.


(A imagem acima foi copiada do link Blitz Digital.)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CONQUISTA SOBRE DUAS RODAS

Senado aprova projeto de lei regulamentando as profissões de motoboy, mototaxista e motofrete.



Em votação simbólica na noite da quarta-feira passada (08-07-09) o Senado Federal aprovou o projeto de lei apresentado há oito anos pelo então senador Mauro Miranda (PMDB-GO) regulamentando as profissões de motoboy, mototaxista e motofrete. A nova lei precisa, ainda, ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas já é motivo de comemoração entre os motociclistas, que veem na lei uma oportunidade de saírem da informalidade e exigirem direitos e garantias como todo trabalhador comum.

O relator da proposta foi o senador Expedito Júnior (PR-RO), segundo o qual existem no Brasil atualmente 2,5 milhões de motoboys e mototaxistas trabalhando na informalidade por falta de regulamentação específica para essas profissões.

Segundo o projeto, a definição de regras específicas para o transporte sobre duas rodas em cada município ficará a cargo das câmaras de vereadores. Estas decidirão, ainda, se poderá haver ou não mototáxi para transporte de pessoas. Em Natal-RN, por exemplo, não existem mototaxistas. Já em Macaíba, cidade distante apenas 30km da capital potiguar, a profissão existe há tempos e é a principal fonte de renda para muitas famílias.

De acordo com a nova lei, para exerceram a profissão, o motoboy, o mototaxista ou o motovigia precisarão:
- ter 21 anos completos;
- dois anos como condutor ou condutora de motocicleta;
- habilitação em curso especializado, a ser regulamentado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito).
Todos os profissionais deverão trabalhar vestindo colete dotado de refletores.

Do motovigia, especificamente, serão exigidos documentos usuais como carteira de identidade, atestado de residência e certidões negativas de varas criminais. Os profissionais em serviço de comunidade de rua, como também são chamados tecnicamente, devem ter alguns cuidados como: observar o movimento de chegada e saída dos moradores em suas respectivas residências; acompanhar o fechamento dos portões do imóvel; comunicar aos moradores, ou à polícia, sobre qualquer anormalidade nos veículos estacionados na rua; informar aos moradores, ou à polícia, sobre a presença de pessoas estranhas e com atitudes suspeitas na rua.

Os veículos conduzidos pelos motoboys devem ter identificação especial e contar com equipamentos de segurança como os mata-cachorros e as antenas corta-pipas. Tais equipamentos devem ser inspecionados semestralmente pelo Contran.

Para o serviço de motofrete será necessária autorização (emitida por órgão de trânsito) para a circulação de motocicletas e motonetas destinadas ao transporte de mercadorias. Pela proposta serão proibidos o transporte de combustíveis, de produtos inflamáveis ou tóxicos e de galões nos veículos de carga. Excetuam-se da norma o transporte do gás de cozinha e de galões de água mineral, desde que com o auxílio de side-car (aquele carrinho acoplado à moto).

Como condutor de motocicleta espero que a lei seja cumprida, que não caia no esquecimento como tantas outras. Mas para que isso aconteça, todos, motoristas, pedestres, motociclistas e poder público devem fazer sua parte.

RECADOS DE UM AMIGO



Recebi recentemente o e-mail de um amigo que trazia uma mensagem de fé e otimismo. Não é de minha autoria - tampouco conheço o autor, mas como acho que bons conselhos devem ser compartilhados, leia e medite os RECADOS DE UM AMIGO:

1 - 'DEUS não escolhe pessoas capacitadas, Ele capacita os escolhidos'.

2 - 'Um com DEUS é maioria'.

3 - 'Devemos orar sempre, não até DEUS nos ouvir, mas até que possamos ouvir a DEUS'.

4- 'Nada está fora do alcance da oração, exceto o que está fora da vontade de DEUS'.

5- 'Aquilo que DEUS dá, DEUS também tira'.

6 - 'Moisés gastou: 40 anos pensando que era alguém; 40 anos aprendendo que não era ninguém e 40 anos descobrindo o que DEUS pode fazer com um NINGUÉM'.

7 - 'A fé ri das impossibilidades'.

8 - 'Não confunda a vontade de DEUS, com a permissão de DEUS'.

9 - 'Não diga a DEUS que você tem um grande problema. Mas diga ao problema que você tem um grande DEUS'.

10 - 'O pouco com DEUS é muito. O muito sem DEUS é nada'.

11 - 'Não ter tempo para Deus, é viver perdendo tempo'.


MEDITAÇÃO
Sim, eu amo DEUS. Ele é a fonte de minha existência, é meu Salvador... Ele me sustenta a cada dia. Sem Ele eu não sou nada, mas com Ele eu posso todas as coisas através de Jesus Cristo, que me fortalece.

"Tudo posso naquele que me fortalece".  (Bíblia Sagrada - Filipenses 4:13)


(A foto que ilustra esse texto foi retirado do site Jornal Pequeno.)

sábado, 11 de julho de 2009

MAIS UM QUE NÃO VOLTOU PARA CASA

Morreu hoje à tarde o cabo da polícia militar do Rio de Janeiro alvejado por dois tiros durante tentativa de assalto.

O cabo do BOPE Ênio Roberto Santiago trabalhava na segurança do tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto (comandante do Bope até ontem) e foi alvejado na manhã desse sábado (11-07-09) por dois disparos: um no ombro e outro na nuca.

Foi atingido enquanto tentava ajudar um casal que estava tendo o veículo roubado enquanto esperavam no sinal fechado. Os disparos foram feitos por alguém que dava cobertura à ação. O militar foi socorrido e levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar mas não resistiu aos ferimentos e faleceu horas depois.

A polícia enviou várias viaturas para o local e os caveirões, veículos blindados do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), subiram o morro. Essa é mais um cena comum de violência na nossa sociedade, violência essa que não poupa ninguém - nem a polícia.

O que me deixa revoltado é que nenhuma ONG ou qualquer outra droga de instituição que defenda a porra dos direitos humanos se pronunciou em protesto à morte do PM morto em serviço.
Fazendo jus ao juramento feito quando da investidura do cargo, o cabo Santiago defendeu com a própria vida a sociedade hipócrita que ele prometeu proteger.

O engraçado é que a mesma imprensa que não se deu nem ao trabalho de divulgar relatos dos familiares do PM morto, fez questão de mostrar os protestos dos moradores da favela ocupada por policiais. Os moradores, sim, tiveram todo o direito de botar a cara na TV e reclamar contra os policiais que invadiram a comunidade. Até incendiaram um ônibus em protesto contra a morte de um traficante durante a operação envolvendo policiais do 6.º Batalhão (Tijuca) e do BOPE. Esses continuam vasculhando o Morro do Turano e o Morro da Chacrinha, ambos no Rio de Janeiro, tentando localizar os assassinos do cabo PM. Mas sabemos que quando os acusados forem capturados - se forem - terão direito a um julgamento cuja pena não poderá exceder aos 30 anos de reclusão. E se tiverem bom comportamento ou se forem réus primários, em pouco tempo estarão nas ruas, matando outros pais de família.
E a imprensa, ah a imprensa... Continua divulgando que na troca de tiros com bandidos, a polícia alvejou moradores. Engraçado, só as armas da polícia acertam gente inocente. As armas dos traficantes não acertam ninguém, eles atiram flores, talvez.
Já o cabo Santiago está morto. Foi mais um policial que tombou na eterna luta contra o crime nas cidades brasileiras. Ele não voltou para casa. Sua família vai sofrer com sua ausência. Perdeu-se um pai, um marido, um filho, um irmão, um amigo, um agente de segurança pública.
Mas esse caso, como tantos outros, cairá no esquecimento. Não haverá passeatas ou manifestações de ONGs ou outra entidade que se diga defensora dos direitos huamanos. Ah, quase esqueci, POLICIAIS NÃO TÊM DIREITOS...

A foto que ilustra esse texto é de um homem ferido em operação do BOPE no Morro do Turano. Foi tirada do site ÚLTIMO SEGUNDO.

CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA (I)

Trecho da carta escrita por Pero Vaz de Caminha (1450 - 1500), integrante da frota de Pedro Álvares Cabral (1467-68 - 1520), encaminhada ao rei de Portugal D. Manuel I, O Venturoso (1469 - 1521), dando conta do 'achamento' de novas terras.

Carta de Pero Vaz de Caminha - Col. A Obra Prima de Cada Autor ...

Senhor:

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que - para o bem contar e falar - o saiba pior que todos fazer.

Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:

A partida de Belém, como Vosso Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de Março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã-Canária, e ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro legas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.

Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!

E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de Abril, estando da dita Ilha obra de 600 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum frande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome - o Monte Pascoal e à terra - a Terra da Vera Cruz.

Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e ao Sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças - ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos.

Fonte: Acervo Digital.
(A imagem acima foi copiada do link Images Google.)